quarta-feira, 18 de novembro de 2009

F(r)icção Biográfica, por Juliana Amato

Tentativa #1

"‘Foi um único filme, e não era pornô!’ Depois de dizer isso em alto e bom som Juliana Amato saiu da coletiva, alegando que não falaria sobre essa parte de sua carreira, estava ali para lançar seu novo livro de poemas, A paixão me pegou (Ed. Record). Rúbia Nonata, sua cartomante e amiga há anos, ia atrás gritando para que deixassem a escritora em paz, benzendo-a com arruda. Quem estava no local ainda pôde notar a aparência abatida de Juliana e a ausência de tatuagens, o que deu margem para muita especulação. ‘Ela tirou as tatuagens’, confirmou Rúbia. Mas o fato é que ninguém imaginava que a doce criadora de Sonho azul (seu primeiro livro de poemas – Ed. Objetiva), sempre calma, serena e dedicada, pudesse exibir um comportamento desses. Será que era ela mesmo? Será que estava sob efeito de narcóticos? O caso deu o que falar e Juliana Amato, autora também de Só os pães são felizes (Ed. Globo), ficou conhecida como a ‘louca da coletiva’."

B.7.L. – Jornalista apozentada e biógrafa não autorizada

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tem muita gente aí
se dividindo em
chicólatra e caetanofílico.
Eu, não! Prefiro
chicória e ácido salicílico.

Tradução: John Ashbery

Falando para Evitar que Aconteça

Alguma partida da norma
Vai ocorrer com o tempo dela se alargando,
O consenso gradualmente mudou; ninguém
Mais mente sobre isso. Ferrugem negra salpicando
Sobre o corpo, mudando-o sem dano –
Pessoas com coisas demais em mente, mas vivemos
Nos interstícios, entre um olhar vazio e o teto,
De que nossas vidas nos lembram. Finalmente isto é consciência
E os outros viventes saltam no mesmo ponto.
Que descaso. Ainda que no fim cada um de nós
Pareça ter percorrido a mesma distância – é o tempo
que conta e quão profundamente você investiu nele,
Cruzar a rua de um evento, por mais que sair
seja
O mesmo que fazer com que aconteça. Você não se arrepende,
É claro, especialmente se tinha de ser assim,
Ainda gostaria de uma troca exata, algo sobre o tempo
Que só um relógio pode lhe dizer: como se sente, não o que [significa.
É um longo campo, e conhecemos só seu longínquo fim,
Não o trecho que se presume percorreríamos para alcançá-lo.
Se não é suficiente, tome a idéia
Inerente ao dia, punhados de trigo e flores
Aplainados em torno de caminhões, se talvez significa mais
Pertencendo a você, ainda o que é é o que acontece no fim
Mesmo que se importe. O evento combinado com
Feixes trazendo-lhe pelo olhar da força adaptado aos
sábios
Usos da idade, mas ambos estão
E não estão lá, como respingos ou serragem ao sol,
No fundo da mente, onde vivemos agora.


Saying It to Keep It from Happening

Some departure from the norm
Will occur as time grows more open about it.
The consensus gradually changed; nobody
Lies about it any more. rust dark pouring
Over the body, changing it without decay -
People with too many things on their minds, but we live
In the interstices, between a vacant stare and the ceiling,
Our lives remind us. Finally this is consciousness
And the other livers of it get off at the same stop.
How careless. Yet in the end each of us
Is seen to have traveled the same distance - it's time
That counts, and how deeply you have invested in it,
Crossing the street of an event, as though coming out of it
were
The same as making it happen. You're not sorry,
Of course, especially if this was the way it had to happen,
Yet would like an exacter share, something about time
That only a clock can tell you: how it feels, not waht it means.
It is a long field, and we know only the far end of it,
Not the part we presumably had to go through to get there.
If it isn't enough, take the idea
Inherent in the day, armloads of wheat and flowers
Lying around flat on handtrucks, if maybe it means more
In pertaining to you, yet what is is what happens in the end
As though you cared. The event combined with
Beams leading up to it for the lood of force adapted to the
wiser
Usages of age, but it's both there
And not there, like washing or sawdust in the sunlight,
At the back of the mind, where we live now.

Extraído de Houseboat Days e da minha educação sentimental.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

“I would leave the cinema just after the next to last song and the film would just go on forever”

Selma, Dancer in the Dark



Saídas de emergência
encadeadas.
Pôr a mão no fogo,
conviver expectativa e
destruição.
Extrair deste incêndio o método
da persistência na parede.

Mensagem massacre massagem,
não há atalhos pela trilha
sonora.
Mais uma vez,
mas pra saber
que nosso mundo
foi jogado às aspas.

Sempre respondo
de 5, 6, 7 quando me
dizem eu não passar de
um.

Ou às vezes
espero dormir
inspirando, expirando
expirando, inspirando
.

domingo, 8 de novembro de 2009

F(r)icção Biográfica

Tentativa #4: (ainda sem nome)

"Tínhamos todo o know-how, tecnologia avançada a nosso dispor, profissionais altamente qualificados, visão inovadora de mercado, público-alvo definido, até planos de desconto para estudantes! Mas faltava algo, um nome impactante, que com certeza nos fixaria eternamente na vanguarda das empresas do ramo. Foi aí que entrou o papel daquele jovem idealizador, Mario Sagayama, que na época, com apenas 16 anos, deu nome à nossa empresa e início à Nome aos Bois ltda.: agência taxonômica ou "o verdadeiro templo do batismo", como ele se vangloriava. É muito por causa dele que hoje nós da Em Nome do Pai lideramos o setor de laboratórios especializados em DNA."

Heloísa Alvarez - CEO da E.N.D.P

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

F(r)icção Biográfica

Tentativa #3: ser um ícone do entretenimento

Chegamos enfim ao maior ícone de nossa lista. Mario Sagayama, conhecido por nós como MarioqueMario: nome que criou para seu primeiro programa de tv, o MQM, sátira ao CQC, programa que tinha grande audiência até ser ofuscado pelo brilho do detentor do pódio de 100 humoristas essenciais. Comemoramos neste ano o centenário de nascimento do rei do sorriso brasileiro, mas
ao invés dos já conhecidos dados biográficos, vale celebrar sua obra com o lançamento póstumo d' As piadas inacabadas: livro recheado de seu mais fino humor numa antologia , espécie de work in progress, em que trabalhava antes de sua morte trágica no ano passado. A leitura de trechos como "O que Marcelo Tas disse quando chegou ao céu?" instiga o leitor até a última página, sobrando, dessa vez, não gargalhadas, mas saudades de nosso #1.

Revista Bravo Ed. Especial 100 humoristas essenciais, janeiro de 2089

sábado, 3 de outubro de 2009

Anonimato

No caso, como poder ser um duplo: ser e não ser, eis o gamão. Um jogo, digo. O anonimato é outra possibilidade. É, fazendo meu uso, o wordplay jogado in the shade em My Erotic Double.

Obrigado. Você é uma pessoa muito agradável.
Desobrigada da etiqueta única em atos, é seu o anonimato.